Painel Brasileiro da Obesidade
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Especialista responde dúvidas comuns de famílias e profissionais de saúde sobre alimentação infantil saudável
André Derviche Carvalho
3 de nov de 2026 (atualizado 3 de nov de 2026 às 09h03)
A coordenadora do Departamento de Obesidade Infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) vê a infância como o único período em que a obesidade de fato pode ser prevenida. O restante já configura tratamento.
Para aproveitar essa oportunidade, é importante que pais e profissionais de saúde conheçam práticas que contribuam para a construção de hábitos alimentares saudáveis.
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“Vivemos um fenômeno de excesso de informação e desinformação em relação à ciência. Isso causa sofrimento e confusão na área da nutrição”, afirmou a pediatra Denise Lellis em live do Painel Brasileiro da Obesidade (PBO).
Doutora em Ciências pela USP e especialista em nutrologia pediátrica e comportamento alimentar, Denise discutiu alguns dos mitos que chegam ao consultório e às famílias. A seguir, confira as principais perguntas e respostas sobre alimentação infantil saudável.
Não. Olhar apenas para a quantidade de calorias simplifica demais uma questão que envolve vários fatores. Nesse sentido, é preciso considerar também o nível de processamento dos alimentos.
“Quem come alimento ultraprocessado come mais, repete mais e quer comer mais. É um tipo de alimento que burla os sinais de saciedade da pessoa, que come mais por prazer. Quem come alimento in natura não apresenta essa necessidade de comer tanto”, explicou Denise.
Por isso, no cuidado da obesidade infantil, o foco não deve ficar apenas no quanto a criança come, mas também no que ela come, como come e em quais condições.
Não. Um alimento pode passar pela indústria com níveis mínimos de processamento. Já os ultraprocessados, em geral, apresentam formulações mais complexas e vários ingredientes.
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Na hora da compra, Denise sugere observar o rótulo: “Quanto menos ingredientes tiverem no rótulo do alimento, melhor”.
Ao mesmo tempo, não faz sentido tratar todos os ultraprocessados como “vilões”. Fórmulas infantis, suplementos e dietas para necessidades específicas, por exemplo, podem cumprir funções importantes em determinados contextos.
Sim, especialmente quando são muito saborosos e estimulam o consumo por prazer.
Alguns produtos combinam açúcar, gordura ou sódio de forma a aumentar sua palatabilidade. Como resultado, pode ficar mais difícil perceber se a criança já comeu o suficiente, porque ela provavelmente vai querer mais.
Denise alerta pais e profissionais de saúde porque a infância é o período em que a criança ainda está aprendendo a reconhecer fome e saciedade.
Por isso, pais e cuidadores devem prestar atenção aos sinais de que ela já está satisfeita.
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Diversas diretrizes nacionais e internacionais orientam para não oferecer açúcar antes dos dois anos de idade da criança.
Não. Pais e responsáveis exercem grande influência, mas não controlam sozinhos todos os fatores que moldam a alimentação de uma criança.
Ao mesmo tempo, entram nessa equação a publicidade infantil, os conteúdos vistos na internet, os alimentos disponíveis em casa, a rotina corrida e até o tempo de convivência entre adultos e crianças.
“Os pais devem ter um esclarecimento, uma força de vontade e uma consistência enorme para não cair nessas armadilhas que estão levando a saúde dos nossos filhos”, aponta Denise.
Por isso, a pediatra defende que profissionais de saúde evitem julgamentos. “Julgar os pais deixa-os mais estressados. A primeira coisa que eu faço [nas consultas] é a escuta para encontrar oportunidades de mudanças.”
Na prática, isso significa entender primeiro a rotina daquela família e, depois, propor mudanças possíveis e sustentáveis.
Uma redução de peso na balança não deve ser o único objetivo.
“Emagrecer pode acontecer às custas da saúde emocional da criança ou do adulto”, alertou Denise.
Por isso, especialmente na infância, o cuidado também deve incluir sono, atividade física, estresse, comportamento alimentar e bem-estar emocional.
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Essa abordagem ajuda a evitar que a busca pelo emagrecimento transforme a comida em fonte de culpa ou sofrimento. Além disso, contribui para a construção de hábitos que a criança poderá levar para a vida adulta.
As respostas mostram que não existe uma regra isolada capaz de garantir uma boa alimentação. Em vez disso, famílias e profissionais precisam olhar para o conjunto: qualidade dos alimentos, ambiente das refeições, rotina, exemplo dos adultos e respeito aos sinais de fome e saciedade.
Para Denise, esse cuidado ganha ainda mais importância porque a infância representa uma oportunidade decisiva para prevenção. Por isso, mais do que controlar o peso ou proibir alimentos, o objetivo deve ser ajudar a criança a construir uma relação saudável com a comida desde cedo.
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