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Atlas Mundial da Obesidade 2026 alerta para avanço da obesidade infantil, falha no cumprimento de metas globais e risco crescente de doenças crônicas precoces
Giovana Domingos Lopes
10 de mar de 2026 (atualizado 10 de mar de 2026 às 09h12)
O novo Atlas Mundial da Obesidade 2026, produzido pela World Obesity Federation (WOF) e traduzido no Brasil pelo Instituto Cordial, revela um cenário preocupante: atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com sobrepeso e obesidade no mundo, e as projeções indicam que 4 bilhões — o equivalente a metade da população global — poderão estar nessa condição até 2035.
Entre crianças e adolescentes, o avanço é igualmente alarmante. Desde 2010, mais de 180 países registraram aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade entre jovens de 5 a 19 anos. A meta internacional estabelecida para interromper esse crescimento até 2025 não foi cumprida pela ampla maioria dos países.
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O Atlas projeta que, até 2040, 120 milhões de crianças poderão apresentar sinais precoces de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) associadas ao IMC elevado, como hipertensão, alterações glicêmicas e doenças metabólicas, condições que antes eram mais associadas à vida adulta.
Além do crescimento da prevalência, o relatório destaca a insuficiência estrutural dos sistemas de saúde: 161 de 191 países apresentam cobertura inadequada para o cuidado de doenças crônicas, e 64 têm baixa cobertura em saúde materno-infantil, comprometendo a prevenção desde os primeiros anos de vida.
“A cada edição do Atlas, os números se tornam mais graves e os impactos aparecem cada vez mais fortes desde a infância. Não estamos diante de uma tendência passageira, mas de uma transformação profunda no perfil epidemiológico global e brasileiro da obesidade. Existem instrumentos e políticas no Brasil, como a Estratégia Intersetorial de Prevenção da Obesidade, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, e o Guia Alimentar para a População Brasileira. Entretanto, falta mais protagonismo do Ministério da Saúde em uma política robusta não só de prevenção e alimentação, mas também de acolhimento integral das pessoas que já estão com obesidade. O cuidado deve ser multiprofissional e articulado com as áreas do esporte, transporte, desenvolvimento urbano, dentre outras, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde. Só assim conseguiremos reverter essa tendência que o Atlas vem mostrando ano após ano e acolhendo, sem estigma e com efetividade, as pessoas com obesidade”, afirma Luis Fernando Villaça Meyer, diretor do Instituto Cordial.
O Atlas reforça que a obesidade é uma doença crônica complexa e um dos principais fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Globalmente, milhões de mortes anuais estão associadas ao IMC elevado.
A edição de 2026 evidencia que o ambiente em que crianças e adolescentes estão inseridos, incluindo padrões alimentares, marketing de produtos ultraprocessados, sedentarismo e fragilidades no cuidado pré-natal e na primeira infância, favorece o ganho de peso desde os primeiros anos de vida.
Para Fábio Trujilho, médico endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), o relatório reforça a urgência de reconhecer a obesidade como prioridade sanitária.
“Estamos observando doenças crônicas surgirem cada vez mais cedo. Isso muda completamente a perspectiva de cuidado ao longo da vida. A obesidade precisa ser tratada como doença crônica, com prevenção estruturada, diagnóstico adequado, acesso a tratamento e enfrentamento do estigma”, destaca Trujilho
O Atlas 2026 aprofunda a análise sobre os chamados ambientes obesogênicos, que são ambientes que favorecem escolhas alimentares não saudáveis e baixos níveis de atividade física. O documento aponta que poucos países possuem políticas plenamente implementadas para prevenção e manejo da obesidade, incluindo medidas fiscais, regulação de publicidade infantil e estratégias integradas de promoção da saúde.
A obesidade é hoje um problema global, com crescimento acelerado especialmente em países de renda média. O impacto vai além da saúde individual, atingindo o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade dos sistemas públicos.
“O manejo da obesidade exige ação coordenada entre saúde, educação, desenvolvimento social, planejamento urbano, regulação econômica e comunicação. Não há solução isolada capaz de reverter esse cenário. É uma agenda estrutural”, ressalta Meyer.
O Atlas Mundial da Obesidade é uma iniciativa da World Obesity Federation. No Brasil, o documento é traduzido e disseminado pelo Instituto Cordial, por meio do Painel Brasileiro da Obesidade, que atua na produção de conhecimento, articulação intersetorial e formulação de propostas para conter o avanço da obesidade e suas consequências no país.
A edição de 2026 será apresentada em evento online e gratuito no dia 04 de março, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os principais achados do relatório e os caminhos para a ação.
O link para inscrição é: https://lp2.institutocordial.com.br/pbo-250-wod-26-insc
O Instituto Cordial é um centro de articulação e pesquisa independente (Think and Do Tank) dedicado à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Que atua com base em ciência de dados, pesquisa aplicada, articulação intersetorial e inteligência territorial.
Desenvolvem projetos e consultorias que ajudam empresas, organizações da sociedade civil e governos a basear suas ações e decisões em dados e evidências. Também realizam iniciativas de incidência direta, enfrentando desafios sociais complexos para gerar impacto social positivo.
Entre as iniciativas do Instituto Cordial, destacam-se o Painel Brasileiro da Obesidade e o Painel Brasileiro da Mobilidade.
Saiba mais em: www.institutocordial.com.br/
Instituto Cordial
imprensa@institutocordial.com.br
Carolina Comoli Pinheiro
WhatsApp: +55 11 97310-1093
Felipe Villaça Meyer
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