Painel Brasileiro da Obesidade
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Iniciativa comunitária atua por acolhimento, combate ao estigma e políticas públicas para pessoas com obesidade no município fluminense
André Derviche Carvalho
10 de ago de 2026 (atualizado 10 de ago de 2026 às 10h55)
A criação do Estatuto da Pessoa com Obesidade de Maricá, no Rio de Janeiro, em 2022, marcou um avanço local na agenda da obesidade. Além de reconhecer o tema como questão de saúde pública, a lei prevê proteção contra discriminação, negligência, violência, crueldade ou opressão.
Esse processo contou com a participação do Movimento Obesos de Maricá (MOM). Segundo a apresentação institucional do movimento, representantes participaram da votação do PL nº 73/2022, aprovado em dois turnos na Câmara Municipal.
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Apesar do nome oficial da organização, o texto usa a expressão pessoas com obesidade. Com isso, reforça uma premissa importante: a pessoa deve vir antes da doença, do peso ou de qualquer marcador corporal.
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O Estatuto assegura direitos às pessoas com obesidade. Também, afirma que a condição resulta de diferentes interações, incluindo fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
Assim, a lei ajuda a afastar leituras simplistas sobre a obesidade. Em vez de tratar o tema como falta de disciplina individual, coloca a questão no campo da saúde pública, da proteção social e da dignidade.
No SUS, o Estatuto prevê atenção integral, com ações de prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde. Ainda orienta a manutenção de grupos de apoio, atendimento regular e tratamento de longo prazo.
O Movimento Obesos de Maricá (MOM) surgiu da falta de espaços de acolhimento e representação política para pessoas com obesidade. O grupo atua com inclusão, defesa de direitos, promoção da saúde e combate à gordofobia.
Além da incidência política, o movimento mantém ações de apoio comunitário. A apresentação cita grupos de WhatsApp, campanhas de conscientização nas redes sociais e o Projeto Bem Estar Fitness, voltado a mulheres de Maricá.
Essas frentes mostram que o cuidado não se resume à consulta médica. Afinal, informação, vínculo, escuta e apoio cotidiano também influenciam a continuidade do tratamento.
Outro eixo do movimento é o combate à gordofobia. A apresentação afirma que pessoas com obesidade enfrentam discriminação, estigma e barreiras no acesso à saúde. Além disso, destaca a atuação contra práticas gordofóbicas em ambientes de saúde, trabalho e educação.
O estigma pode afastar pessoas do cuidado e dificultar tratamentos de longo prazo. Por isso, o movimento defende atendimento digno e humanizado no SUS, equipes multidisciplinares capacitadas e fim do preconceito nos consultórios.
A experiência de Maricá mostra como movimentos locais podem transformar demandas sociais em agenda pública. Ao participar da criação de uma lei municipal, manter redes de apoio e defender atendimento humanizado, o movimento ajuda a deslocar o debate da culpa individual para uma agenda de cuidado, busca por direitos e inclusão.
Portanto, o caso pode inspirar outros municípios. Afinal, lidar com a obesidade exige serviços preparados, políticas integradas e escuta ativa das pessoas que vivem essa realidade.
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