Painel Brasileiro da Obesidade
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Psicóloga ressalta que benefícios traduzem-se, inclusive, em uma perda de peso maior
André Derviche Carvalho
17 de dez de 2025 (atualizado 17 de dez de 2025 às 15h26)
A presença de um psicólogo no cuidado da obesidade pode aumentar a efetividade do tratamento. Patrícia Queiroz, especialista em transtornos alimentares e obesidade, indicou que a presença da psicoterapia no tratamento da obesidade pode reduzir em até cinco quilos o peso corporal.
A melhora ocorre porque o apoio psicológico ajuda na adesão a mudanças de comportamento e na manutenção dos resultados a longo prazo.
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Atualmente, 56% dos adultos brasileiros vivem com sobrepeso ou obesidade, de acordo com dados apresentados no Congresso Internacional sobre Obesidade de 2025. Mantidas as tendências, o país pode ter 130 milhões de pessoas com excesso de peso nas próximas duas décadas.
O cenário acende um alerta não apenas para o impacto físico, mas também para os transtornos mentais associados, como ansiedade, depressão e compulsão alimentar, fatores que influenciam o ganho e a manutenção de peso.
Patrícia Queiroz destaca que as barreiras emocionais são um dos principais desafios na manutenção do cuidado. Segundo ela, “barreiras emocionais dificultam muito a manutenção da saúde e o uso de medicamentos. Para superarmos essas barreiras, precisamos de educação em saúde, integração dos serviços, formação continuada dos profissionais e uma promoção da equidade no acesso aos serviços”.
Esses aspectos emocionais refletem-se na prática clínica: pessoas que enfrentam sintomas de depressão ou ansiedade têm maior risco de abandonar o tratamento e menor adesão a orientações nutricionais e de atividade física.
Por isso a importância de incorporar a psicologia desde o início da linha de cuidado da obesidade, com equipes multiprofissionais e planos personalizados.
Para a especialista, o tratamento da obesidade deve ir além da perda de peso e se concentrar na melhoria da qualidade de vida. “O cuidado precisa ser acolhedor, sem julgamento, com psicoterapia, acompanhamento nutricional e atividade física e, acima de tudo, com respeito”, afirma.
Esse olhar integral ajuda a quebrar o estigma que ainda recai sobre pessoas com obesidade, frequentemente associadas à culpa. Nesse sentido, o reconhecimento da obesidade como doença crônica e multifatorial — e não como resultado de falta de disciplina — é essencial para garantir abordagens éticas e efetivas.
Além disso, a associação entre obesidade e doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares, reforça a necessidade de estratégias integradas. A psicoterapia, nesse contexto, funciona como ponte entre o cuidado físico e o emocional, ajudando a sustentar mudanças de longo prazo.
O enfrentamento da obesidade exige articulação entre serviços de saúde mental e atenção primária. Iniciativas que conectam Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) permitem um acompanhamento contínuo, com escuta qualificada e orientação multiprofissional.
A integração entre saúde mental e cuidado nutricional tem mostrado resultados promissores: melhora da autoestima, maior adesão ao tratamento e redução dos índices de desistência. Políticas públicas que fortaleçam essa rede são fundamentais para que o cuidado alcance todas as pessoas que vivem com obesidade.
A relação entre cuidado psicológico e obesidade vai além do tratamento: é também uma forma de prevenção das doenças crônicas não transmissíveis. A escuta e o acolhimento contribuem para o bem-estar emocional, a redução do estresse e a construção de hábitos sustentáveis.
Como lembra Patrícia Queiroz, não existe saúde física sem saúde mental. O tratamento efetivo da obesidade passa pelo equilíbrio entre corpo e mente — e por um sistema de saúde capaz de reconhecer, respeitar e apoiar essa integração.
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