Painel Brasileiro da Obesidade
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Nota técnica do PBO enfatiza a importância do SISVAN para orientar políticas públicas de saúde
André Derviche Carvalho
31 de jan de 2025 (atualizado 31 de jan de 2025 às 11h37)
A cobertura do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) está em expansão no Brasil, mas ainda é baixa. Essa foi uma das conclusões de uma nota técnica do PBO (Painel Brasileiro da Obesidade), uma iniciativa do Instituto Cordial. O documento mensurou a qualidade dos dados oferecidos pelo Sistema como forma de promover um uso mais eficiente.
A nota técnica avaliou o período de 2008 a 2022 do SISVAN. Anualmente, passou da casa dos 2 milhões de registros para a de 6 milhões. O crescimento intensificou-se a partir de 2012 e atingiu um pico após a pandemia do coronavírus.
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“Houve um aumento importante na cobertura do SISVAN de 2008 a 2022, mas não ultrapassa 60%. Para pensar na sua representatividade, precisaríamos pensar na sua cobertura maior”, constatou a nutricionista Jaqueline Gentil, pesquisadora do PBO responsável pela elaboração da nota técnica.
Alguns problemas no SISVAN foram constatados. Entre eles, a duplicidade de informações, inconsistência de dados e irregularidade em alguns registros. Por exemplo, ainda é difícil compreender as informações em um contexto de políticas públicas. Isto é, quais registros advêm de campanhas, incentivos ou programas do governo.
Além disso, pela cobertura relativamente baixa, o SISVAN não tem representatividade nacional. “O Sisvan não é um estudo populacional, ele não tem uma representatividade nacional, mas traz uma informação com alta granularidade. Conseguimos analisar a nível municipal, um âmbito que nem sempre é contemplado”, ressalta Jaqueline.
A cobertura do SISVAN também permanece desigual. Estados do Norte e Nordeste lideram em proporção de registros. Enquanto isso, regiões mais populosas, como Sudeste e Sul, apresentam números absolutos altos, mas baixa cobertura proporcional.
Apesar das limitações, o uso do SISVAN apresenta uma série de oportunidades. Por exemplo, no Brasil, não há uma fonte de informação específica para o monitoramento do estado nutricional de crianças e adolescentes. Nesse sentido, o SISVAN surge como uma oportunidade de monitorar esse público, dos 0 aos 4 anos; dos 5 aos 9 anos e dos 10 aos 19 anos. Esse público correspondeu a 47% dos dados analisados pela nota técnica.
Além disso, a granularidade dos dados do SISVAN permite análises específicas e a criação de novos indicadores. “Temos a necessidade de monitorar o estado nutricional da população, ainda mais nesse contexto de insegurança alimentar e nutricional que estamos vivenciando”, disse Jaqueline.
A comparação entre regiões do Brasil pode revelar disparidades que favorecem o desenvolvimento da obesidade. Compreendendo esses fatores, a análise dos dados ajuda a direcionar intervenções mais eficazes.
Nesse cenário, a nota técnica sugere investimentos em infraestrutura tecnológica, como sistemas em nuvem, e formação de equipes técnicas para melhorar a qualidade e frequência dos registros. Além disso, o fortalecimento do acompanhamento longitudinal é apontado como essencial para identificar e prevenir casos de obesidade.
O SISVAN, criado na década de 1990, é uma ferramenta do SUS (Sistema Único de Saúde) para a coleta e consolidação de dados sobre o estado nutricional e a consumo alimentar da população atendida na Atenção Primária à Saúde (APS). Diferentes sistemas e programas alimentam o SISVAN, como o Bolsa Família, o SISVAN Web e o e-SUS App.
O SISVAN coleta dados de unidades de saúde em todo o país, incluindo o atendimento domiciliar. Isso permite o acompanhamento contínuo do estado nutricional de crianças e adolescentes.
De acordo com dados do sistema, entre crianças de 5 a 9 anos, a prevalência da obesidade aumentou quase 2 pontos percentuais nos últimos 14 anos, resultando em 235 mil crianças a mais com obesidade.
Por sua vez, adolescentes apresentaram uma elevação ainda mais acentuada, com a prevalência dobrando entre 2008 e 2022, alcançando 12,19% no último ano analisado. No Norte e Nordeste, as crianças mais novas lideram os índices de obesidade, enquanto no Sudeste e Sul, adolescentes são os mais afetados.
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