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Políticas públicas eficazes reduzem riscos, ampliam diagnóstico precoce e evitam complicações
André Derviche Carvalho
20 de maio de 2026 (atualizado 20 de maio de 2026 às 10h53)
O cuidado do diabetes evoluiu nos últimos anos. Entre as principais melhorias estão a vigilância sobre a doença, um pacto nacional de cuidado e novas tecnologias de monitoramento. Porém, especialistas destacam que ainda é necessário fortalecer a Atenção Primária para o cuidado e fortalecer a prevenção.
O Brasil está entre os países com maior número de pessoas com diabetes no mundo, segundo estimativas da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Com isso, mais pessoas têm risco aumentado de infarto, AVC, insuficiência renal, amputações e cegueira.
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Diante dessas complicações, a nutricionista Michele Medina, voluntária da Associação de Diabéticos do Espírito Santo (Aidies), destaca que a prevenção é um dos principais pilares do cuidado do diabetes.
“Políticas públicas eficazes reduzem riscos, ampliam diagnóstico precoce e evitam complicações, com impacto direto em custo para o SUS e qualidade de vida. A Atenção Primária ainda falha muito no tratamento da obesidade. As pessoas que estão lá na ponta, que precisam receber a pessoa com obesidade e diabetes, estão muito despreparadas”, diz Michele.
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Nesse contexto, a Atenção Primária, por estar mais próxima da população, é uma das principais ferramentas para prevenção de casos de diabetes.
Michele avalia que há oportunidade de ampliar o rastreio em ambientes comunitários e em empresas, além de reforçar a busca ativa na Atenção Primária, seguida de um acompanhamento longitudinal.
Além disso, ela ressalta que os profissionais de saúde devem estar habilitados técnica e emocionalmente para o cuidado do diabetes: “Precisamos dar um pontapé inicial (no tratamento) e precisamos de apoio. Eu tive muito apoio de profissionais de saúde que tiveram empatia com a minha situação e que quiseram me ajudar a avançar no tratamento”, diz a nutricionista, que foi diagnosticada com diabetes há 26 anos.
Por fim, é também necessário promover uma alimentação saudável logo nos primeiros anos de vida. Nesse sentido, o Guia Alimentar para a População Brasileira é uma boa base para a educação em saúde da população.
Apesar das lacunas, ainda há vários avanços no cuidado do diabetes. Por exemplo, Michele lembra que pesquisas como o Vigitel ampliaram a vigilância sobre a doença.
Mais do que isso, o Brasil conta com um Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de DCNTs. Com ele, o sistema de saúde ganha diretrizes de prevenção e cuidado.
Além disso, os avanços também se derão na área da tecnologia. Hoje, indivíduos com diabetes contam com monitorização contínua de glicose, sensores e bombas de insulina e o melhor controle glicêmico.
A questão é que muitos desses recursos têm acesso limitado: “Hoje, infelizmente, os avanços de tecnologia são restritos a uma pequena parte da população. Temos que dar acesso à tecnologia para um número maior de pessoas. O acesso é restrito, porque o custo é alto”, diz Michele.
Com isso, o aumento de casos de obesidade e diabetes aponta para a importância do aprimoramento do cuidado das doenças. Um que seja acessível, inclusivo e eficiente, o que depende de estratégias de prevenção e tratamento.
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