Painel Brasileiro da Obesidade
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Estudo de grupo da Unifesp investigou o papel da suplementação probiótica associada à restrição calórica no processo de emagrecimento
André Derviche Carvalho
1 de out de 2024 (atualizado 1 de out de 2024 às 17h24)
O uso de probióticos para emagrecimento tem efeitos diferentes a depender do indivíduo. Algumas pessoas podem ser chamadas de colonizadores desses probióticos, o que facilita a redução de massa, outras podem ser não colonizadoras, o que dificulta a ação dos probióticos.
O Ecomi-SP (Estudo Clínico de Obesidade e Microbiota Intestinal do Estado de São Paulo), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), buscou verificar os efeitos da suplementação probiótica associada à restrição calórica. A ideia era observar como essas intervenções influenciam no emagrecimento.
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Para isso, os pesquisadores formaram dois grupos: um que seria submetido à suplementação probiótica e à restrição calórica e outro à restrição calórica e ao placebo. Como resultado, o estudo apontou que a suplementação probiótica não ofereceu um efeito significativo para o emagrecimento.
“Ao longo do tempo, não houve diferença entre os grupos probiótico e placebo. Ambos os grupos reduziram gordura corporal de maneira significativa. Após 12 semanas, eles não se diferenciaram entre si. O grupo probiótico não exerceu um efeito adicional e significativo quando comparado ao grupo restrição calórica e placebo”, explica a professora Camila Marques, da Unifesp.
Isso não significa necessariamente que os probióticos não servem para emagrecer. Na realidade, a professora Camila Marques explica que “os efeitos heterogêneos dos probióticos podem se dar a essa possibilidade de o probiótico ser colonizado ou não na microbiota intestinal“. Desta forma, o efeito varia de pessoa para pessoa.
Além disso, há indícios de que a composição e a função do microbioma explicam a resistência à colonização específica do indivíduo, cepa e região do trato gastrointestinal.
Vale lembrar que a literatura já descreve uma relação entre a microbiota intestinal e a obesidade. Nesse caso, uma microbiota intestinal alterada tem influência negativa no metabolismo do indivíduo. Consequentemente, há um gatilho para favorecer a adiposidade no intestino, o que favorece uma reação inflamatória e um quadro de obesidade.
Assim, especialistas apontam potenciais intervenções terapêuticas para modular a microbiota intestinal. Por exemplo, dieta (restrição calórica), probióticos, medicamentos, cirurgia bariátrica, transplante de fezes e exercício físico.
Nesse cenário, o estudo do Ecomi-SP buscou responder à seguinte questão: a suplementação probiótica pode causar emagrecimento? Como conclusão, os pesquisadores apontam que nem sempre é possível definir exatamente se a redução de peso tem mais a ver com os probióticos ou como a restrição calórica.
“A restrição calórica, quando bem feita, promove emagrecimento. Porém, queríamos ver o efeito adicional dos probióticos no desfecho do emagrecimento dessa população”, explica a professora Camila Marques.
Os pesquisadores realizaram o estudo clínico dentro de 12 semanas, com 6 visitas presenciais. Eles usaram uma redução calórica de 30% das calorias totais diárias, estabelecendo um plano alimentar individualizado aos participantes da pesquisa. No caso dos probióticos, os pesquisadores usaram três cepas de lactobacilos e uma cepa de fitobactérias, fornecidas em sachês.
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