Painel Brasileiro da Obesidade
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Working paper do PBO mostra que, além do ambiente, genética é mais um dos fatores a serem estudados no contexto da obesidade
André Derviche Carvalho
27 de out de 2023 (atualizado 2 de set de 2024 às 20h13)
Estudo detalha relação entre obesidade e genética Estudo detalha relação entre obesidade e genética
Os fatores que levam um indivíduo à condição de obesidade não são singulares. Por conta disso, a doença é entendida como complexa e multifatorial. Entre esses vários fatores, aparece a genética, que, segundo estudo do PBO (Painel Brasileiro da Obesidade), deve ser considerada quando o assunto é cuidado e prevenção da obesidade.
No working paper “Aspectos Genéticos da Obesidade”, fica claro que a genética tem o potencial de influenciar no aparecimento do sobrepeso e da obesidade. “A genética não é determinante, mas impacta”, resume Guilherme Nafalski, coordenador do PBO. Partindo dessa premissa, o estudo detalha a relação entre quadros de obesidade e fatores genéticos do indivíduo.
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Em suma, a genética tem o potencial de favorecer ou desfavorecer o ganho de peso. Isso explica, por exemplo, o caso de pessoas que apresentam dificuldade (ou facilidade) de engordar independentemente da alimentação e hábitos de vida. Vale lembrar que um ambiente tomado por produtos não saudáveis, como os ultraprocessados, pode interagir com a genética e influenciar no sobrepeso. “A genética pode também predispor o corpo a responder ao ambiente obesogênico de uma forma potencializada”, explica Guilherme.
Um dos dados mais relevantes apresentados no documento é o de que entre 40% e 50% da variação de peso no corpo de uma pessoa pode ser atribuída a fatores genéticos. Isso não quer dizer que as variações indiquem uma doença, mas sim que a genética influencia parcialmente o peso corporal.
Portanto, a conclusão é de que modificações genéticas podem interferir no quão fácil é para alguém ganhar ou perder peso. Segundo Mayara Miranda, pesquisadora do PBO, essas variações podem ser hereditárias. Além disso, elas também podem aparecer devido à má alimentação, ao estresse, sedentarismo e até mesmo ao nível de exposição à poluição.
Para exemplificar, podemos usar a lipase, uma enzima produzida a partir das informações contidas no DNA humano, cuja função é quebrar gordura. Porém, se alguma mutação ocorrer no DNA, a lipase pode ser produzida de forma “não funcional” e, consequentemente, sua função fica comprometida. Como resultado, há menor quebra de gorduras e o indivíduo fica mais exposto a alterações metabólicas e, consequentemente, ao sobrepeso e à obesidade.
Outro exemplo aparece no gene FTO, sigla em inglês para fat mass and obesity associated. Ele é um dos principais genes associados à função de saciar a fome no corpo. Alterações em FTO podem desregular o sistema de saciedade e a pessoa pode continuar a sentir fome mesmo após se alimentar, quadro conhecido como hiperfagia.
Desse modo, uma das agendas propositivas do estudo é a medicina de precisão. Isto é, muitas vezes, o cuidado da obesidade demanda acesso à informações genéticas para ser efetivo e proporcionar perda e, posteriormente, manutenção do peso corporal. A medicina de precisão defende um cuidado mais individualizado e integralizado da obesidade, que considere também as informações genéticas do paciente.
“A relação [entre genética e obesidade] existe e precisa ser aprofundada. A genética tem se mostrado como uma ferramenta adicional à medicina que permite uma nova abordagem tanto para a prevenção quanto para o tratamento de doenças. A medicina precisa ter também esse olhar genético”, afirma Mayara.
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