Painel Brasileiro da Obesidade
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Desigualdades no acesso à saúde e dificuldades de gestão comprometem a continuidade do atendimento; experiências municipais apontam caminhos para fortalecer o cuidado
André Derviche Carvalho
22 de out de 2026 (atualizado 22 de out de 2026 às 16h02)
A falta de integração entre as unidades básicas de saúde e os serviços especializados é um dos principais obstáculos à continuidade do tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
Esse desafio foi debatido durante o Obes(C)idades 2026, evento do Instituto Cordial que reuniu especialistas para discutir os gargalos na implementação das linhas de cuidado da obesidade no Brasil. Entre os principais problemas identificados estão:
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Além de discutir os desafios, os participantes apresentaram experiências municipais que podem servir de referência para outras cidades e estados. “O desafio de implementação no Brasil é muito agudo, não só em políticas de saúde. Muitas vezes temos a linha de cuidado e não conseguimos tirar do papel e chegar nas pessoas”, ressalta Luis Fernando Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial.
Luis Fernando Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial, no Obes(C)idades 2026. Foto: Instituto Cordial
Durante o evento, o Instituto Cordial lançou o estudo “Linhas de cuidado da pessoa com obesidade no Brasil: entre a institucionalização normativa e os desafios de implementação”.
A pesquisa analisou 14 documentos de linhas de cuidado e identificou fragilidades na organização da assistência. Embora existam diretrizes para o tratamento da obesidade, sua implementação ainda enfrenta obstáculos financeiros e institucionais.
Por isso, o estudo recomenda fortalecer as equipes multiprofissionais, definir metas e criar mecanismos permanentes de coordenação. Além disso, reforça a importância de um atendimento contínuo e livre de estigmas, considerando a obesidade como uma doença crônica e multifatorial.
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Erika Cardoso, pesquisadora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), destacou a distribuição desigual dos serviços especializados no país.
Segundo levantamento do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) de 2026, 1.330 municípios brasileiros não possuíam ambulatórios de especialidades em seu território, o equivalente a cerca de 24% das cidades do país.
Ainda assim, disponibilizar serviços não é suficiente. Também é necessário organizar os encaminhamentos e assegurar que os pacientes continuem sendo acompanhados pelas equipes de saúde.
Guilherme Nafalski, head de articulação e relações institucionais do Instituto Cordial, destacou outros obstáculos à continuidade do cuidado. Entre eles estão as dificuldades de financiamento, a rotatividade de profissionais e a interrupção de políticas após mudanças de gestão.
Guilherme Nafalski, head de articulação e relações institucionais do Instituto Cordial, abordou forma como o sistema de saúde de estados e municípios lidam com a obesidade. Foto: Instituto Cordial
“É preciso ter vontade política para mudar. É preciso que a obesidade seja uma questão e que haja uma decisão política. Precisa haver continuidade no acompanhamento, no monitoramento”, ressaltou Nafalski.
No Distrito Federal, uma das experiências apresentadas foi a do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (CEDOH). Criado em 2017, o serviço recebe pacientes encaminhados pelas unidades básicas, conforme critérios clínicos.
O tratamento da obesidade do equipamento dura dois anos e envolve uma equipe multiprofissional.
Inicialmente, os pacientes passam por uma avaliação individual. Em seguida, participam de seis oficinas educativas semanais sobre alimentação, atividade física, sono, saúde mental e uso de medicamentos. Depois, o acompanhamento continua com consultas individuais e oficinas mensais de manutenção.
Além do tratamento clínico, o programa busca fortalecer a autonomia dos pacientes e prevenir o abandono. Entretanto, Cássia Regina também apontou desafios, como a ampliação do acesso a medicamentos e a integração com a Atenção Primária.
Já no Rio de Janeiro, a linha de cuidado busca manter a Atenção Primária como coordenadora do acompanhamento dos pacientes. O modelo foi apresentado por Mayara Concolato, da Secretaria Municipal de Saúde.
Nesse sistema, o Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo (CEOM) recebe pacientes encaminhados conforme critérios clínicos. O atendimento inclui avaliação multiprofissional, atividades coletivas e tratamento medicamentoso quando indicado.
Segundo os dados apresentados, o serviço acompanhou 210 usuários e realizou 3.066 consultas. Além disso, registrou crescimento de 142% na produção assistencial desde sua implantação.
O centro também apoia as unidades básicas por meio de discussões de casos e capacitação das equipes. Dessa forma, busca integrar os serviços e garantir a continuidade do acompanhamento após o atendimento especializado.
O Obes(C)idades integra a programação anual do PBO e foi realizado com apoio do Hcor. Por meio da iniciativa, o Instituto Cordial promove a produção de conhecimento e a articulação de diferentes setores para fortalecer as políticas públicas de obesidade no Brasil.
Evento anual do Instituto Cordial também é espaço de trocas entre gestores de saúde, pesquisadores, influenciadores e outros atores do universo da obesidade. Foto: Instituto Cordial
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