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Aumento da cobertura possibilitou acesso mais amplo a dados sobre alimentação no município
André Derviche Carvalho
29 de abr de 2026 (atualizado 29 de abr de 2026 às 13h44)
A cobertura da vigilância alimentar e nutricional na cidade do Rio de Janeiro aumentou de 7,5% para 33,9% entre 2019 e 2025. Junto a isso, mais profissionais de saúde foram qualificados para a coleta dos dados.
Com isso, o município passou a estruturar respostas mais consolidadas sobre o estado nutricional de sua população, além de melhor planejar políticas públicas de promoção da alimentação saudável.
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“Se você conhece a sua população e o seu território, você garante um acesso mais integral e longitudinal. Com isso, você pode prevenir complicações de doenças e agravos crônicos”, aponta a nutricionista Renata Alves, servidora da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
A vigilância alimentar e nutricional é a coleta de indicadores como IMC, marcadores de consumo alimentar e prevalência do excesso de peso. Com isso, é possível monitorar cenários como insegurança alimentar.
Inclusive, no Rio de Janeiro, o trabalho sobre vigilância intensificou-se após questionamento do Ministério Público do Rio de Janeiro. O órgão questionou a prefeitura sobre o estado nutricional da população diante de denúncias de insegurança alimentar.
“Isso foi um começo para a Secretaria de Saúde, que tinha uma vigilância, mas era descentralizada. A partir de algumas reuniões, decidimos centralizar a vigilância alimentar e nutricional conosco”, relata Renata Alves.
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Nesse sentido, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel essencial na vigilância nutricional. Por meio dela, a prefeitura monitora indicadores individuais e populacionais, detecta precocemente riscos e agravos à saúde e define ações na comunidade.
Assim, este torna-se um pilar central da prevenção da obesidade: “O excesso de peso propicia outras doenças, como hipertensão e diabetes. Se acompanhamos o peso do paciente e entendemos seus hábitos alimentares, revertemos precocemente algumas dessas doenças crônicas”, diz Renata.
Os dados da vigilância alimentar e nutricional vêm de diversas fontes. Por exemplo, consultas médicas individuais, atendimento coletivo e atendimento domiciliar. A partir disso, os dados são registrados em prontuário eletrônico e em sistemas de informação, como o SISVAN.
Além disso, outro detalhe é a pactuação de metas com a administração estadual. Com isso, os indicadores viram base para a avaliação de políticas públicas de cuidado à saúde.
Nesse sentido, os dados mais atuais de vigilância alimentar e nutricional do Rio de Janeiro mostram aumento da prevalência da obesidade em todos os ciclos de vida.
A servidora Renata Alves ainda apresentou alguns desafios para a vigilância. Eles incluem obstáculos para uma coleta integral e uniforme dos dados nas unidades de saúde, vieses do aferidor e da seleção dos dados e registros inconsistentes na APS.
Ainda assim, a ampliação da vigilância alimentar e nutricional possibilitou informes trimestrais sobre alimentação no município. Além disso, ampliou o acesso aos dados do SISVAN pelos profissionais e melhorou o planejamento de ações de saúde no território.
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