Painel Brasileiro da Obesidade
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Sistema de saúde da cidade encontrou na capacitação dos profissionais um caminho para melhorar o cuidado da obesidade
André Derviche Carvalho
13 de jul de 2023 (atualizado 21 de dez de 2023 às 17h21)
O aumento da prevalência da obesidade e as falhas no atendimento desses casos despertaram um alerta na gestão do sistema de saúde em Guarulhos: os profissionais envolvidos nesse cuidado precisam estar melhor qualificados. Por isso, com intuito de incrementar a capacitação dos profissionais de saúde para o cuidado da obesidade, a cidade presenciou uma mobilização inédita.
Em live do PBO (Painel Brasileiro da Obesidade), a nutricionista Lígia Ortolani, que também é coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas de Guarulhos, explicou como funcionou a mobilização. Após um contato próximo com os profissionais de saúde que estão na ponta do cuidado da obesidade, ela identificou as principais lacunas desse atendimento, o que serviu de base para a elaboração de projetos de capacitação.
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As iniciativas começaram principalmente em 2022 com a flexibilização da pandemia, depois que profissionais de saúde notaram um aumento nos casos de obesidade, diabetes e hipertensão e um agravamento de depressão e ansiedade nesses pacientes. “Desde o ano passado, retomamos a capacitação dos nossos profissionais para que consigam atender de melhor forma as pessoas com acolhimento e reabilitação”, disse Lígia.
Assim, a capacitação oferecida em Guarulhos tem diversos objetivos voltados aos profissionais de saúde:
A estruturação de projetos de capacitação não é uma iniciativa solitária. Além de mobilizar gestores e profissionais de saúde, esse trabalho também exige a parceria com universidades e outras instituições. Durante a live do PBO, Lívia citou uma parceria com o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e com a Sociedade Brasileira de Diabetes.
Ela também lembrou da importância de buscar patrocínio para os programas de capacitação de profissionais de saúde e de mobilizar diretamente esses agentes. Para isso, um caminho de sucesso foi a criação de grupos de WhatsApp para mapear quais as principais dificuldades e lacunas que esses profissionais andam enfrentando na ponta do atendimento. É com base nisso que as capacitações são estruturadas.
Voltado tanto para a atenção básica quanto para a especializada, o projeto de capacitação de Guarulhos gerou vários resultados. Por exemplo, montados protocolos para o cuidado da obesidade. Além disso, a capacitação resultou na formação de grupos coordenados por equipes multidisciplinares para falar sobre as principais dificuldades na vida de uma pessoa com obesidade e quais mudanças de comportamento a doença exige. Lígia, inclusive, lembrou que foi solicitado que todas as 69 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Guarulhos contenham grupos voltados especificamente à mudança de estilo de vida.
Outra iniciativa de destaque foi a criação do grupo multiprofissional chamado “Programa Peso Saudável”, que existe até hoje. A proposta é ter 12 encontros durante o ano para abordar temáticas relacionadas à obesidade, como ansiedade, alimentação e exercício físico. O programa é descentralizado territorialmente para que pessoas de diversas regiões da cidade consigam acessar o serviço.
No geral, a capacitação para o cuidado da obesidade busca trazer três resultados principais para o profissional de saúde: criar maior autonomia profissional, gerar mais segurança no atendimento e melhor qualificar essa assistência. “Você [o profissional de saúde] vai ter que acolher um paciente com sobrepeso e obesidade. Não é melhor estar capacitado para isso?”, refletiu Lígia.
O caminho para emplacar esse projeto de capacitação, porém, apresentou alguns obstáculos. O primeiro deles foi motivar os profissionais a aderirem às iniciativas. Em segundo, foi despertar a atenção de gestores de saúde para essa necessidade. Lígia diz que uma estratégia pode ser apresentar ao gestor a importância de melhor qualificar o cuidado da obesidade a partir dos custos que as internações trazem.
“Enquanto gestão, precisamos dar ferramentas para que o profissional de saúde faça e só depois cobrá-lo. Muitas vezes cobramos sem dar ferramentas”, resume Lígia.
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