Painel Brasileiro da Obesidade
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Nova proposta de classificação considera os impactos da obesidade na saúde mental e na funcionalidade do indivíduo
André Derviche Carvalho
1 de set de 2026 (atualizado 3 de set de 2026 às 09h44)
A avaliação da obesidade pode ir além do peso corporal e do Índice de Massa Corporal (IMC). É o que propõe a versão brasileira da Edmonton Obesity Staging System, conhecida como EOSS-Brasil, ferramenta de classificação da obesidade adaptada para o português em estudo publicado na Revista Panamericana de Salud Pública.
O sistema classifica a gravidade da obesidade em cinco estágios, de 0 a 4, conforme morbidades, riscos à saúde, sintomas físicos, sofrimento mental e limitações funcionais.
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Dessa forma, a ferramenta busca apoiar uma avaliação mais ampla da pessoa com obesidade, considerando não apenas medidas antropométricas, como circunferência de cintura, mas também os impactos da doença na saúde e na vida cotidiana.
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Embora o IMC ainda seja o indicador mais utilizado para estimar a massa corporal em adultos, ele não é suficiente para orientar o cuidado. Isso porque pessoas com o mesmo IMC podem apresentar condições clínicas, metabólicas, funcionais e psicossociais muito diferentes.
“Foi um trabalho muito criterioso para que ela pudesse ser utilizada pelos profissionais. Quando a avaliação foi feita com os profissionais, percebemos a necessidade de uma ferramenta que não classificasse as pessoas pelas medidas corporais”, explica Elma Monteiro, nutricionista da Prefeitura de Uberlândia.
A Edmonton Obesity Staging System foi proposta em 2009 por pesquisadores do Centro Bariátrico de Serviços de Saúde de Alberta, em Edmonton, no Canadá. A ferramenta organiza a avaliação da obesidade em cinco estágios de gravidade, com base no perfil de morbidade e nos riscos à saúde.
Na versão original, os estágios vão de pessoas sem fatores de risco aparentes relacionados à obesidade a quadros com incapacidades graves associadas a doenças crônicas, sofrimento mental intenso ou limitações funcionais severas.
Além de classificar a gravidade, o sistema também oferece orientações gerais para tratamento e acompanhamento. Com isso, ajuda o profissional de saúde a diferenciar situações que exigem monitoramento daquelas que demandam tratamento mais intensivo e manejo de comorbidades.
Um dos principais diferenciais da EOSS-Brasil é incorporar três critérios de avaliação:
Para pesquisadores, a EOSS-Brasil permite classificar a gravidade da obesidade de forma mais detalhada. Em vez de agrupar participantes com base apenas no IMC, a ferramenta considera riscos clínicos, saúde mental e funcionalidade.
Isso pode qualificar estudos sobre tratamentos, políticas públicas, modelos de cuidado e desfechos de saúde. Além disso, como mantém referência ao sistema original, a versão brasileira facilita a comparação com pesquisas internacionais.
Na prática clínica, a ferramenta pode apoiar uma conduta mais individualizada. O profissional de saúde pode considerar o estágio de gravidade da obesidade, investigar comorbidades, avaliar sofrimento mental e identificar limitações funcionais.
Com isso, a EOSS-Brasil ajuda a organizar prioridades de acompanhamento e reforça uma abordagem menos centrada na perda de peso como único objetivo. O estudo destaca que mudanças de 5% a 10% no peso já podem trazer benefícios relevantes à saúde, ainda que não mudem a classificação pelo IMC.
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