Painel Brasileiro da Obesidade
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Controlar o ganho de peso na gestação e apoiar a amamentação reduz riscos para mãe e bebê e previne obesidade infantil
André Derviche Carvalho
18 de nov de 2025 (atualizado 18 de nov de 2025 às 12h36)
O ganho de peso na gravidez é esperado e até aceitável. No entanto, precisa ser acompanhado de perto. Especialistas indicam que há faixas recomendadas que variam conforme o IMC (Índice de Massa Corporal) da mãe no período pré-gestacional. Ficar acima ou abaixo delas pode trazer riscos à saúde materno-infantil.
Na prática clínica, mulheres com ganho excessivo de peso têm maior risco de pré-eclâmpsia, hipertensão e diabetes gestacional.
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“Aquelas pacientes que têm ganho de peso excessivo têm mais partos cesáreos e bebês macrossômicos”, explica Raquel Quevedo, médica endocrinologista e mestre pela Faculdade de Medicina da USP. Já quando o peso aumenta menos do que o esperado, há maior probabilidade de restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer e prematuridade.
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Nesse sentido, o Instituto de Medicina estabeleceu faixas aceitáveis e até recomendadas de ganho de peso para a mãe durante a gestação. Confira:
Diante disso, ganhos fora dessas faixas são considerados inadequados. “Durante a gestação, tem que monitorar esse ganho de peso. Não pode deixar esse peso subir sem ser acompanhado”, reforça Raquel Quevedo.
O contexto brasileiro torna o tema ainda mais urgente. Dados do Vigitel 2023, pesquisa de vigilância do Ministério da Saúde, mostram que a obesidade autorreferida atinge 24,3% da população adulta — o dobro em relação a 2006. Ou seja, mais mulheres já iniciam a gravidez em situação de risco.
O acompanhamento deve priorizar uma rotina equilibrada. Nesse sentido, a recomendação é dar preferência a alimentos in natura, garantir variedade, moderar ultraprocessados, beber água e manter atividade física liberada pelo obstetra.
A saúde mental também faz diferença: ansiedade e depressão estão ligadas ao ganho de peso excessivo na gravidez e, por isso, intervenções multidisciplinares — apoio psicológico, orientação nutricional e manejo do estresse — ajudam a melhorar os resultados.
Segundo Raquel Quevedo, não é o momento de dietas restritivas: “Os carboidratos são energia vital. Nessa fase, não se recomenda fazer dietas muito restritivas, porque é importante para passar energia para o bebê.” Ou seja, restringir demais pode comprometer não apenas a saúde da mãe, mas também o desenvolvimento do bebê.
No caminho da gravidez, o pós-parto é outra etapa importante. Nela, o aleitamento materno exclusivo evita a obesidade no bebê e favorece a perda de peso na mãe. Crianças amamentadas têm crescimento mais saudável, melhor autorregulação da ingestão energética e menor risco de sobrepeso na infância.
Mas o processo exige suporte: “Não é simples amamentar, especialmente na primeira vez. Buscar ajuda profissional é essencial para ter sucesso”, afirma Raquel Quevedo.
Além disso, o apetite costuma aumentar nessa fase. “Há aumento de fome na amamentação, porque o corpo orienta. Isso ajuda na perda de peso. As escolhas alimentares são muito importantes.”
Portanto, a recomendação é comer bem, com qualidade, e evitar medicações para emagrecer. “Não é raro ver mulheres usando remédios para perder peso mais rápido no pós-parto. Nessa fase, é contra-indicado, porque a medicação pode passar para a amamentação”, alerta a médica.
É importante buscar ajuda profissional quando o ganho de peso foge das faixas de referência. Além disso, a mãe deve estar atenta a sinais de hipertensão ou diabetes gestacional
O cuidado com a saúde mental também é importante. A mãe também deve buscar apoio se enfrentar tristeza intensa, ansiedade ou dificuldades para amamentar. Dessa forma, o acompanhamento individualizado protege mãe e bebê e ajuda a reduzir o risco de obesidade no futuro.
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